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Veja em "Cultura" um dos bairros
mais antigos da cidade de São Paulo. |
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História
do Ipiranga II
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Obs:
A história se divide em quatro Partes - Parte I A - Parte
I B - Parte II - Parte III
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História do Ipiranga - parte II O
bairro do Sacomã ficou famoso por ficar no Caminho
do Mar. O sobrenome dos irmão Antoine, Henry e Ernest batizou
o lugar.
Quando esses foram feitos," o procurador do conselho requereu que se fizessem os caminhos e assinassem um homem de cada parte para aplicar os mais vizinhos a que se fizessem a assentarem que Jerônimo Rodrigues tivesse cuidado de aplicar e chamar a gente de Ubirapoeira / e Jeribatiba / Gaspar Fernandes os de Abrasava / e da parte de Piranga a Pedro Nunes / e da parte de Piqueri Gaspar Calaço "".
Nas atas da Câmara estão registradas inúmeras citações referentes aos péssimos caminhos para regiões mais distantes, principalmente o Ipiranga que era passagem obrigatória para aqueles que se dirigiam a Santos e São Vicente e também para os que vinham de lá, ganhando maior importância quando se tratava da remessa de gêneros alimentícios tão necessários para a sobrevivência do povo paulistano, instalado no planalto e tão distante do porto. Os
que demandavam Santos e São Vicente,
partido do Ipiranga ou passando por seus caminhos, davam preferência
o uso do caminho do Mar desde seu início,
naquele tempo com suas raízes na confluência das ruas Bom
Pastor e sorocabanos (acerca de 100 metros o pai da Marquesa de santos,
o Visconde de Castro era proprietário de uma casa de campo, demolida
nos anos quarenta.) ; Havia outra alternativa, que era o caminho
onde hoje se situa a Av. Nazaré, descendo por uma picada
das redondezas da Av. Dr. Gentil de Moura, até atingir o Sacoman. Para evitar a paludosa planície, nas seqüências das várzeas do Carmo, Glicério, a Câmara aprovou, em 1767, projeto que mandava abrir caminho para ligar a vila do Ipiranga passando pela "Chácara da Glória" e Lavapés, com princípio na igreja de São Gonsalo Garcia. O trajeto entre "Lavapés" e a parte final da rua da "independência" era praticamente intransitável para veículos, na estação das chuvas, e mesmo os pedestres e cavalheiros tinham que contorna-lo pela a encosta do "Morro da Pólvora", (onde está instalado o Hospital Militar), entrando depois na estrada velha do Ipiranga (rua Ouvidor Portugal). Em
1776,
nas atas da Câmara, surge nova referência oficial determinando
que se fizesse o caminho do "Piranga até o alto de São
Gonçalo Garcia" . Aqueles
que se dirigiam ao Arraial do Curral Grande, além
da vila Moraes e Taboão, e depois dali para Santo
Amaro e São Bernardo, forçosamente teriam que passar pela
estrada do Capitão Cursino,
que anteriormente fora uma das "estradas de carro" por
onde os tropeiros tocavam as boiadas. A
estrada do Curral pequeno, atual
AV. Nossa Senhora das Mercês, era assim chamada porque
nela estava instalado um pequeno estábulo que se tornou conhecido
por ser o único, naquelas redondesas, durantes muitos anos acrescida
de outros com o correr do tempo, todos pequenos proprietários
de gado e vacarias, instalados ao longo dessa passagem que ligava ao
município de São Bernardo. No
porto atracavam barcos, batelões e canoas, que portavam
para o consumo do público mercadorias das roças ribeirinhas
e , principalmente, material das olarias da fazenda dos padres, em São
Bernardo.Continuando diz o escritor que "o Porto estava cheio de
tropas com bruacas, portadora dos mais variados gêneros possíveis
e ali também se viam compradores dos produtos da terra, escravos,
sinhôs, moços e velhos, quituteiras, padres, sertanistas
e os chamados" "brasileiros de Portugal". Dentro os inúmeros viajantes que visitaram São Paulo, no século XIX, alguns escreveram suas impressões sobre o " Bairro do Ipiranga", descrevendo as viagens até a longínqua paragem. Lomanco assim se expressou, em sua narrativa, quando dirigiu-se até o Museu em 1886. " O caminho que aí leva é também dos mais desagradáveis. Descendo a Rua da Glória e atravessando o bairro do Lavapés, um dos mais antigos e mal construídos da cidade, continua-se através de um péssimo caminho da roça, repleto de relevos e fossas. Logo mais, porém, uma linha de trens unirá o monumento a cidade e, provavelmente tornar-se-á o centro de um novo e elegante bairro". A linha por ele mencionada, só poderia ser a linha de bondes elétricos, que começou a funcionar em 1900. A Estrada de Ferro Santos e Jundiaí (ex-São Paulo Railway), já existente na época, atingia o Ipiranga somente ao Leste. Em 1888, foi o francês Henrique Raffard quem manifestou-se a respeito, após ter visitado o "Monumento do Ipiranga": "Fui ao Monumento do Ipiranga, tomando no Largo da sé o bonde (tramway) recentemente inaugurado que, saindo da cidade pela Rua da Glória, desce até o pequeno córrego do Lavapés para atingir o Cambuci, dali tive que seguir a pé, não estando ainda assentados os trilhos da linha, cuja secção pronta aproveitou-se da parte da futura avenida Ipiranga". Essa avenida, à qual referia-se Raffard, era um projeto existente que não vingou, de cuja comissão era presidente o barão Ramalho (1889). "Está, pois, definitivamente resolvido que a linha direta da Avenida parte perpendicularmente do eixo do edifício do Ypiranga e segue com a mesma direção até o cruzamento das ruas Mooca e Piratininga, formando com esta um ângulo de 24º, 32 e deste ponto continua em linha reta a terminar na rua do Braz, em frente à igreja matriz, percorrendo em toda sua extensão o espaço de 3.501 m e 25". Foi inevitável este ângulo, porque a reta cruzaria a linha férrea e terminaria muito além da igreja do Braz. " A lei de 9 de abril de 1899 autorizou o governo provincial a fornecer 70 contos de réis à comissão do monumento para a abertura e preparo da rua da Glória, com a obrigação, porém de restituí-lo para o fundo do patrimônio da instituição que se criara para aproveitar o edifício do Ipiranga". Era intenção, na época, da " companhia de Ferro Carril do Ypiranga, construir uma linha de bondes para servir o bairro da Independência, cabendo ao engenheiro Luiz Pucci o levantamento da planta, partindo a estrada do eixo do Museu com dupla vantagem de prestar-se ao serviço de bondes e de já ser uma parte da futura Avenida no espaço compreendido entre o Córrego do Ypiranga e o entroncamento da estrada da Glória, contendo 1189 metros. Todavia, as dificuldades existentes, que eram o Morro da Pólvora (Vila Monumento) e os lamaçais da Rua da Independência, onde devia ser feito um aterro de três metros para serem os trilhos assentados, impediu essa construção, que foi realizada onze anos depois por outra companhia. A
região Ipiranguista, considerada uma paragem até
fins do século XIX, durante os quatro primeiros séculos
pouco ou quase nada progrediu porque seus escassos habitantes, em maioria
composta de chacareiros, sitiantes, tropeiros e corroceiros, permaneceram
apáticos, num estado de estagnação que perdurou
até 1890, quando a Câmara Municipal de São Paulo
loteou as inúmeras chácaras existentes, passando então,
pelo menos oficialmente, a ser denominada de bairro. Foram 12 as primeiras ruas que ganharam nome, de acordo com planta de loteamento, das quais comente uma não preserva sua primitiva denominação, todas ligadas a Independência e aos anseios republicanos, que são seguintes: Fico, Grito, 1822, Cisplatina, Municipalidades, Juntas Provisórias, Gonçalves Ledo, Monumento (praça), Guarda da Honra, Independência, Manifesto e Estrada do Ipiranga. O Cambuci, assim como o próprio Ipiranga (sede), Saúde, Aclimação, Jabaquara, Morro da Pólvora (morro da vila Monumento), Sacoman, São João Clímaco, Bosque da Saúde e Chácara do Castelo, estão integrados a administração regional do Ipiranga, situada na região Sudoeste, formando área de 32,286 km. Os latifúndios (sesmarias) em cujas terras rasgaram-se em caminhos que partiam do Lavapés ligando-se a Vila Moraes, passando pelo Ipiranga pertenciam ao bispo Dom Mateus Pereira, conde Vicente de Azevedo e Antonio de Moraes, de acordo com o mapa elaborado por Odilon Pereira Matos. A extensão do primeiro, que tinha início núcleo da Glória onde esteve em atividade uma das mais produtivas chácaras de São Paulo, até fins do século passado, ia até o riacho Ipiranga. Dali para diante, até as regiões da divisa com o bairro da Saúde eram do Conde, pertencendo ao coronel Moraes a regiões que se estendia mais além. Em 1877, o governo loteou o núcleo da Glória, sem a necessária cautela de examinar documentos de posses e títulos, gerando reclamações por parte dos prejudicados, assim registrado pela imprensa após alguns lotes serem vendidos em leilão. Mas
ainda em 1878, para penetrar-se no campo da Glória
era previsto passar por um largo portão, onde podiam ser encontrados
primitivos ranchos com parede de pau a pique. No ano seguinte surgiram
casas de melhor feitura, em terrenos cercados, mas com pouco cultivo
e grande quantidade de vacas leiteiras. Nessas
sesmarias, cujas
terras eram imprestáveis para transforma-las em grandes e produtivas
fazendas, principalmente aquelas localizadas no Ipiranga, proliferaram
sitiantes e chacareiros trabalhando "a meias"com seus proprietários
em reduzidos lotes de um ou dois alqueires. Na quadra onde está instalada a Usina Santa Olímpia, entre as ruas Patriotas , Silva Bueno, Xavier Curado e Lino Coutinho, esteve em atividade antiga chácara, assim como a de Vila Carioca, espremida entre as ruas Campante, Lucas Obes e 1822, desapropriada em 1945 quando ainda mantinha-se ativa. Das incontáveis chácaras situadas no Ipiranga, tem-se notícias somente das principais, ou das que tornaram-se mais conhecida, tal como a "Chácara do Diogo"que funcionou até meados dos anos trinta à Avenida Tereza Cristina (atual Dr. Ricardo Jafet), local onde instalou-se a Associação Portuguesa de Desportos. Outra Chácara de que "muito se ouviu falar", ou contar, era a do Fioretti, na Costa Aguiar, sede da antiga Fazenda do Ipiranga, limitando-se com as ruas Bom Pastor, Thabor e Leais Paulistanos. A chácara do Magalhães também era conhecida, nessas redondezas, assim como a do major Castelo entre as ruas Almirante Lobo, Bom Pastor e Xavier de Almeida. O comendador Luiz de Brito foi proprietário da "Chácara Flores", uma das mais conhecidas do bairro. Mas havia muitas outras, espalhadas como em vila São José, Vila Carioca, alto do Ipiranga (Rua Vergueiro e adjacências), funcionando algumas delas até fins do século quarenta. Divisão dos Leais Paulistanos No dia 12 de janeiro de 1822, por carta régia, o príncipe regente Dom Pedro invocou o brasileirismo dos paulistas, seu amor à ordem e à tranqüilidade pública e, chamou-os ao Rio de Janeiro, que se achava a braços com a indisciplina e anarquia da divisão lusitana assanhada contra a população. Ordenou, então, o governo de São Paulo, ao coronel Lázaro Gonçalves, que organizasse um batalhão requisitando soldados dos corpos milicianos, reforçado em seu trajeto para a corte por contigentes oriundos das vilas do Norte. Foram anexados ao batalhão dois esquadrões de cavalaria miliciana, cujo comando foi entregue ao tenente-coronel Pinto Gavião, partindo em seguida para o Rio e 24 do mesmo mês vom mil e cem praças, ocasião em que o coronel Lázaro assim falou aos seus comandados: "Em obediência das ordens do Príncipe Regente dispõe o governo que marcheis para o Rio de Janeiro. O governador espera de nós, nobres guerreiros, que por tantas vezes tendes mostrado o vosso valor nos campos de batalha, concorreis, incorporado as tropas brasileiras de guarnição da corte, para defende-la de qualquer ataque planejado pelos inimigos da ordem, da união e tranqüilidade pública. O governo e a Pátria assim o esperam de vosso ardor e patriotismo e do entusiasmo por tão justa causa; e o governo e a Pátria não se enganam". A esta coluna expedicionária, que se chamou "DIVISÃO DOS LEAIS PAULISTANOS", foi designado o coronel Lázaro seu comandante. A 12 de outubro de 1822, um mês após a proclamação da independência, ele foi elevado ao posto de brigadeiro graduado, por decreto da mesma data, efetivando-se a 12 de outubro de 1824. Após a extinção da "imperial Guarda de Honra", em abril de 1831 quando D. Pedro I renunciou foi instituída a guarda nacional a 18 de agosto do mesmo ano, sendo nomeado o coronel Lázaro para comandar essa milícia, comando que foi abandonado somente em 1848, continuando a servir o Imperador como gentil-homem da Imperial Câmara. A Imperial Guarda de Honra, grupo de soldados da elite que pertenciam à Divisão dos Leais Paulistanos, das divisões de Minas Gerais e Rio de Janeiro, formou-se na viagem do Príncipe Regente do Rio e São Paulo, iniciada a 14 de agosto de 1822, com paradas em várias cidades e vilas do interior de são Paulo e Rio de Janeiro. A medida que se aproximava da vila dos paulistas ia sendo engrossada, e a presença dos componentes dessa comitiva, no Ipiranga, tornou-se testemunhas do grito "independência ou Morte". A 3 de maio de 1823, dois meses antes da concretização da Independência, na mensagem dirigida à Assembléia Constituinte, o Imperador manifestou novamente sua gratidão a São Paulo e aos paulistas com as seguintes palavras: "...
a nossa independência lá foi primeiro que em parte alguma
proclamada no sempre memorável sítio do Ipiranga. Foi
na Pátria do fidelíssimo e nunca assaz louvado Amador
Bueno da Ribeira, aonde pela primeira vez fui aclamado Imperador". O "Grito de Dom Pedro", à margem de
um límpido ribeirão que serpenteava entre as matas verdejantes
da colina que se tornaria histórica, a 7 de setembro de 1822,
tornou-se conhecido como "Grito de Ipiranga", e famoso pelo
fato que representava perante as nações, principalmente
as colônias latino-americanas que lutavam para se verem livres
do jugo dos colonizadores. Gritos que fizeram mudar o curso da História, das batalhas,
das ações já houve muitos. Foi um grito emitido a baixa voz, ouvido apenas por aqueles que o rodeavam porem, com eco de repercussão universal. A frase de Monroe, "a América para os Americanos", também foi um grito, popularizando-se como um estigma da liberdade ara os povos da América. Tiradentes, o "Mártir da Inconfidência" e precursor da liberdade o Brasil, sem emitir um único grito foi ouvido por todos os brasileiros, e o grito que não conseguiu dar ficou atravessado como um espinho na garganta de todos os patriotas até Sete de Setembro de 1822. O que realmente importa, em se tratando do Sete de Setembro, é
o que representou e representa o grito da "Independência
ou Morte" para os brasileiros. Era o inicio da independência que seria consolidada 9
meses depois, precisamente a 2 de julho de 1823. E a margem captada
por Pedro Américo ficaria gravada na retina de todos, de como
teria sido aquele instante supremo do grito "Independência
ou Morte". A HISTÓRIA DO MONUMENTO O projeto da ereção do Monumento à Independência
"arrastou-se" durante 100 anos, até ser inaugurado
sem estar concluído. E o movimento que visava a sua construção
iniciou-se alguns meses após a Proclamação, quando
Antonio da Silva Prado (Barão de Iguape), encabeçando
um grupo de cidadões paulistanos, abriu uma subscrição
pública para que se erguesse no local um monumento evocativo.
A 26 de fevereiro de 1823, a concessão depois de aprovada por
José Bonifácio, para a construção do marco
lançado somente a 12 de outubro de 1825. Em 1872, o governador visconde de Bom Retiro mandou exumar a pedra
colocada em 1825, incumbindo o engenheiro Carlos de levantar uma planta
completa daquela região do Ipiranga. Mas nada mais foi feito
porque, três anos depois, quando era João Theodoro o presidente
da Província, aquela pedra foi recolocada no mesmo lugar. A
ORIGEM DO MUSEU PAULISTA O
Coronel Joaquim Sertório era um etnógrafo e colecionador
por vocação. Apaixonado pelo estudo descritivo dos
povos, sua raça, língua e costumes, em poucos anos acumulou
considerável coleção de objetivos valiosos adquiridos
de varias fontes, organizou uma exposição e fundou o "Museu
Sertório", enriquecido posteriormente com a doação
de diversas outras peças etnográficas e de história
natural. Esse
projeto, não totalmente executado, já naquela
época previa a preservação daquele cenário
histórico, evitando o sufocamento do parque pela construção
de grandes edifícios que esconderiam a beleza daquele logradouro,
fazendo convergir para o local maior afluxo de transito e de pedestres.
Todavia, para evitar a especulação imobiliária,
por vezes criminosa. Foi preciso transformar em lei essa precaução
governamental, por interferência do Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico
do Estado (CONDEPHAAT), que visava transformar aquele conjunto harmonioso
em Parque da Independência. |
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